A presença ainda necessária das parteiras

Fonte: A Gazeta (MT) (Editorial)

Um relatório divulgado pela organização não-governamental britânica Save the Children trouxe à tona a necessidade de uma profissional que, apesar de rara no mercado, provou ser imprescindível, principalmente em cidades onde o sistema de saúde ainda é tão carente: a parteira. De acordo com levantamento da ONG, a existência de mais 350 mil parteiras no mundo poderia salvar a vida de 1 milhão de bebês anualmente.

Sua atuação, obviamente, é mais necessária nos países pobres. Enquanto na Grã-Bretanha 1% das crianças nasce sem que o parto seja assistido por especialistas, a porcentagem sobe para 94% na Etiópia (África). Tirar o bebê corretamente e ajudá-lo a respirar pode fazer a diferença entre sua vida e morte e por isso a entidade cobra ações da Organização das Nações Unidas (ONU) e dos próprios governos dos países subdesenvolvidos o apoio e financiamento no treinamento de mais parteiras ou profissionais de saúde que ajudem as mães na hora do parto. No total, a Save the Children calcula em 48 milhões o número anual de mulheres que dão à luz sem auxílio adequado, aumentando os riscos de morte tanto da mãe quanto do recém-nascido.

O Brasil não é citado pelo relatório, mas não é difícil imaginar a situação das gestantes que vivem em regiões isoladas como as da Amazônia e desassistidas como as dos rincões secos do Nordeste. Nestes e tantos outros locais onde o sistema público de saúde é tão precário quanto inexistente, as mães precisam contar com as parteiras, geralmente alguém da família com conhecimento básico de como retirar a criança e nada mais.

Um estudo realizado em 2008 por profissionais do Instituto Materno-infantil Professor Fernando Figueira, de Recife (PE) e pelo Instituto de Nutrição da Universidade Federal de Pernambuco exemplifica a ausência de profissionais especializados nas pequenas cidades e na zona rural. Naquele ano, das 1.459 mães que tiveram partos normais em todo o estado, pouco mais de 1/3 (34,5%) foi assistida por médicos. A participação dos médicos chegou a 73,3% na região metropolitana do Recife e apenas 10% na zona rural do estado. Já a atuação das parteiras que atenderam mais da metade de todos os partos normais em nível estadual predominava no meio rural (73,6% dos casos).

Ao mesmo tempo em que enfatiza a presença maciça das parteiras em locais esquecidos pelas autoridades, o estudo reforça a necessidade de que sejam pessoas capacitadas e bem treinadas para este fim com o objetivo de reverter os índices de mortalidade materna, que é por si só um dos importantes indicadores da saúde que mais distinguem e separam as nações ricas das pobres.

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