Na hora do parto

Com saberes, crenças e práticas aprendidas observando outros partos, não demorou muito para que Marina Santos tornar-se referência na comunidade em que residia, em Barreirinhas.

Fonte: O Estado do MA

Coragem e ousadia de quem faz o trabalho de parto sem qualquer auxílio tecnológico da Medicina. Carinho e suporte emocional de quem cuida de mães solteiras ou ainda jovens. Mulheres que possuem confiança nas mãos e magia nas palavras. Assim é o trabalho das parteiras e doulas, personagens de forte presença não só na vida de moradores da zona rural de São Luís, mas também dentro de maternidades e hospitais da cidade.

A parteira Marina Santos Nascimento, 71 anos, já aparou nas mãos muitas crianças ao nascer. Já não é possível saber o número preciso de quantos partos ela auxiliou. “Quando parei de conferir, há 8 anos, já tinha ultrapassado 1.000 crianças”, revelou.

Marina Santos não se tornou parteira por tradição familiar, mas pela necessidade. Ela tinha 17 anos quando fez o primeiro parto. Nessa idade, costumava preparar remédios, infusões e chás de raízes e plantas. Por isso, foi chamada a casa de uma mulher que estava para ter um filho. “Assustei-me quando vi a cabeça preta cheia de cabelos. Nunca tinha visto um parto. Não sabia porque a barriga da senhora estava se mexendo. Não tinha noção do que estava acontecendo”, afirmou. Com o auxílio da própria gestante, a adolescente carregou a criança no colo e cortou o umbigo. “Ela me dava as ordens e eu fazia, de prontidão”, explicou.

Com saberes, crenças e práticas aprendidas observando outros partos, não demorou muito para que Marina Santos tornar-se referência na comunidade em que residia, em Barreirinhas. Passou a acompanhar a gestação, arrumar a roupa da mãe e dar banho nos bebês. Quando se mudou para São Luís, no Alto da Esperança, levou o conhecimento consigo e, na capital maranhense, ajudou outras mulheres a parir.

A parteira teve 16 filhos. “Dois deles eu tive sozinha, sem auxílio de nenhuma parteira”, orgulha-se. Ela conta que muitas mulheres procuram as parteiras por necessidade, por serem, em muitos casos, a única opção que a vida lhes oferece. Porém, muitas, voluntariamente, ainda optam por dar à luz à moda antiga. Elas trocam o leito do hospital pelo prazer de ter o filho próximo à família. “Na maternidade tem horário marcado. Pessoas desconhecidas são as primeiras a segurar o bebê. Apesar de o hospital ter a vantagem do parto mais rápido e com menos dor, as mães não se sentem tão confortáveis”, disse.

Marina Santos não trabalha só em casa, ela é responsável por encaminhar as grávidas da comunidade para o Hospital Nossa Senhora da Penha, no Anjo da Guarda. Com suas mãos sábias, ela consegue diagnosticar, sem nenhum auxílio tecnológico, se o bebê está na posição correta dentro da barriga da mãe. Caso ela note que há algum problema, marca a consulta no hospital. “A gente vai tocando, sentindo onde está a cabeça e o bumbum do neném. Muitas vezes consigo virá-lo. Vou empurrando com uma toalha, até ele ficar na posição certa”, contou.

Em prol de um parto tranquilo

Elas não são parteiras, nem substituem ou interferem no trabalho do médico, mas desempenham um papel fundamental no processo de nascimento de uma criança. Durante o procedimento do parto, que pode durar dias, as doulas cuidam, conversam e tranqüilizam as gestantes.

Na maternidade Marly Sarney, oito mulheres trabalham na humanização do parto. Elas garantem o bem-estar, o respeito, a calma e até a redução das dores das pacientes na hora de trazer o bebê ao mundo. Conversas sobre complicações no parto, massagens e técnicas para mudar de posição são algumas das tarefas das doulas.

As doulas acompanham, principalmente, as gestantes que vão para a maternidade sem a companhia da família ou do marido. Sozinhas e desinformadas, as mulheres ficam inseguras, amedrontadas e tensas, dificultando a dilatação no momento do parto. A presença da doula resgata o apoio que deveria ser dado por familiares que já tiveram a experiência de ter um filho.

A confiança nas doulas, assim como nas parteiras, está ligada à experiência, por isso, quanto mais velha, mais valorizada. Na hora do parto, Albertina Aurea Ferreira Lava, 75 anos, segura a mão da gestante, respira junto, conversa, faz massagem e transmite toda a serenidade necessária.

Albertina teve 8 filhos e 12 netos. “Já passei pela experiência do parto inúmeras vezes. Ao saber que está sendo acompanhada por alguém experiente, a mulher que está parindo fica mais tranquila, tem mais confiança”, declarou.

As gestantes garantem que a companhia das doulas diminui o sofrimento. “Se ela não estivesse aqui, eu estaria sozinha. Confio no que ela diz”, ressaltou a paciente Lucinele Gomes, 39 anos.

O QUE A DOULA FAZ ?

Antes do parto – Ela orienta o casal sobre o que esperar do parto e pós-parto. Explica os procedimentos comuns e ajuda a mulher a se preparar, física e emocionalmente, das mais variadas formas.

Durante o parto – A doula funciona como uma interface entre a equipe de atendimento e o casal. Ela explica os complicados termos médicos e os procedimentos hospitalares e atenua a eventual frieza da equipe de atendimento num dos momentos mais vulneráveis de sua vida. Ela ajuda a parturiente a encontrar posições mais confortáveis para o trabalho de parto, mostra formas eficientes de respiração e propõe medidas naturais que podem aliviar as dores, como banhos, massagens, relaxamento, etc..

Após o parto – Ela faz visitas à nova família, oferecendo apoio para o período de pós-parto, especialmente em relação à amamentação e cuidados com o bebê.

O QUE A DOULA NÃO FAZ ?

A doula não executa qualquer procedimento médico, não faz exames, não cuida da saúde do recém-nascido. Ela não substitui qualquer dos profissionais tradicionalmente envolvidos na assistência ao parto. Também não é sua função discutir procedimentos com a equipe ou questionar decisões.

Para saber mais acesse: www.doulas.com.br

 

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: