Entrevista com Fadynha, fundadora da associação nacional das doulas

Fonte: Revista Pais e Filhos

Fadynha nasceu Maria de Lourdes da Silva Teixeira e faz mágica quando o assunto é apoiar as mulheres para conseguir um parto humanizado, com um mínimo de intervenções. Mãe de Prema, nascida de  parto domiciliar, e avó de Arjuna, há 30 anos trabalha com preparação de mulheres e casais grávidos. Tudo começou com a yoga para gestantes. Ela também introduziu no Brasil a shantala e foi fundadora  da Associação Nacional das Doulas. Conversamos com ela durante a 3ª Conferência Internacional sobre Humanização do Parto e Nascimento, que aconteceu em Brasília, no final de 2010, durante a qual também aconteceu o 8º Encontro Nacional de Doulas, essas mulheres que servem a quem sonha com o  parto normal.

De onde veio o nome Fadynha?
Há muito tempo, eu morava com uma amiga, e a decoração do nosso apartamento seguia o estilo hippie. Os amigos diziam que era a “casa das fadinhas”, e o meu marido Hélder, que eu conheci na época, adotou o apelido. E daí, virei a Fadinha. No começo tive uma certa resistência, mas foi como fiquei conhecida. Em 1997, uma amiga numeróloga sugeriu trocar o i pelo y.

Como e quando você começou a ser doula?
Comecei com a yoga para gestantes, pesquisando e sendo minha própria cobaia, durante minha gravidez. Já trabalhava com yoga, mas passei a usá-la no trabalho com as gestantes. Depois veio o trabalho de preparação para o parto. Daí, as grávidas começaram a me procurar e pedir que eu acompanhasse o parto delas. A gente se torna amiga, cria um vínculo. Nessa época, em que comecei o trabalho de doula, que nem tinha esse nome, havia muito mais partos em casa do que agora, especialmente lá no Rio. Nos hospitais, eu também acompanhava, mas achavam que a gente era meio maluca. Mas, como não havia muita resistência em relação aos partos naturais, a gente ia fazendo as coisas, partos nos quartos, de cócoras, a gente fazia coisas assim. Quando percebiam, já tínhamos feito.

E como veio a denominação de doula?

Nos anos 90, aconteceu uma coisa diferente. Nos EUA, começaram a chamar a mulher que acompanha parto, de doula. Foi muito rapidinho, e o mundo inteiro começou a adotar o nome, que em grego significa “mulher que serve”. Então, a palavra foi incorporada, rapidamente. Fui pega de surpresa,  estava “doulando” (como se diz hoje) um parto, e o médico me disse: “Ah, você é doula?” Achei até que ele estava me xingando e ele me explicou que este era o nome dado ao trabalho que eu estava fazendo. Eu disse: “Então tá, sou doula, é isso mesmo”.

Como você vê a atuação das doulas no Brasil?
Antigamente, a presença da família era mais forte. Sempre tinha uma irmã, mãe, família, vizinha que passava a experiência da gestação, do parto, dos filhos para as outras mulheres da família. Hoje, as mulheres nem têm mais parto, o número alto de cesáreas sem motivo comprova isso. Como vão, então, passar essa experiência? E existem muitas pessoas morando sozinhas, longe da família. Eu acompanho muitas mulheres assim, que estão só com o marido. Mas a família também, muitas vezes, mais atrapalha do que ajuda; às vezes, até bloqueia o parto. Sobre a nossa atuação, a gente está numa fase de transição, até porque, em relação ao número de cesáreas que ainda cresce, pior do que está não fica. E, nessa transição, a doula está sendo uma personagem importante, facilitadora desse momento que a sociedade impõe à mulher. A doula vem ajudar muito. Como também sou educadora perinatal, faço esse trabalho de informação; nunca deixei de fazer as duas coisas juntas: acompanhamento e informação. Não só para a mulher, mas para o marido e familiares.

Para ler a entrevista completa, clique aqui.

 

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