Grupo Curumim recebe homenagem durante 14ª Conferência de Saúde

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e a ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Iriny Lopes, parabenizaram o Grupo Curumim pela importante atuação em favor da humanização do parto e parto normal no país. A homenagem aconteceu na manhã desta quinta-feira (1º), durante a abertura da 14ª Conferência Nacional de Saúde, que acontece em Brasília.

Durante a solenidade, também foi entregue ao Curumim um kit da parteira, simbolizando o compromisso do Governo Federal em distribuir esses kits a todas as parteiras vinculadas ao Sistema Único de Saúde. A ação representa uma das diretrizes do Programa Rede Cegonha no tocante ao cadastramento e vinculação das parteiras ao SUS.

Parteira Tradicional pode se tornar Patrimônio Vivo de Pernambuco

Foi divulgada esta semana a lista dos participantes do VII Concurso Público do Registro do Patrimônio Vivo de Pernambuco, promovido pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (FUNDARPE) e Secretaria Estadual de Cultura. Entre os concorrentes, está a parteira Maria das Dores da Silva, conhecida como Dora Parteira, índia Pankararu, da aldeia Brejo dos Padres da Terra Indígena Pankararu, localizada na fronteira dos municípios de Tacaratu, Jatobá e Petrolândia.

“É um reconhecimento do que representa a comunidade Pankararu e a valorização da sua tradição. Dôra faz com que o povo Pankararu se sinta feliz em nascer em sua própria terra. Pernambuco tem que reconhecer isso, proteger e retribuir, até porque é uma questão de justiça”, declarou a coordenadora do Programa Parteira do Grupo Curumim, Paula Viana.

Dôra conta ter realizado mais de 500 partos em sua vida, utilizando seus conhecimentos indígenas de cuidados com o corpo (da mãe e do bebê), de elaboração de remédios do mato e de rezar e cachimbar estabelecendo contato com os Encantados, entidades sobrenaturais protetoras dos Pankararu. Em 2009, foi convidada a falar de sua atuação como parteira em um evento internacional para troca de experiências, promovido pela Organização Panamericana de Saúde (OPAS), no Equador.

Ao todo, 59 pessoas físicas e jurídicas de natureza cultural concorrem ao prêmio, que poderá agraciar até três vencedores. A data do resultado ainda será divulgada pela Secretaria Estadual de Cultura.

USP promove Seminário Internacional sobre segurança e qualidade na assistência ao parto no Brasil

Como tornar a assistência ao parto mais segura e promover uma melhor vivência para as mulheres e famílias? No dia 9 de novembro, das 14 às 17h, o evento Parto (In) Seguro: Seminário Internacional Sobre Segurança e Qualidade na Assistência ao Parto no Brasil, que acontecerá na Faculdade de Saúde Pública, da USP, vai tentar responder a essa pergunta por meio da troca de experiências entre Reino Unido e o País.

Do lado de lá do Atlântico, a socióloga e parteira Jane Sandall, coordenadora do Centro de Pesquisa sobre Inovação na Segurança dos Pacientes e na Qualidade da Assistência, do Sistema Nacional de Saúde (NHS) do Reino Unido, vai falar sobre as novas políticas do reconhecido modelo de saúde pública britânico, que agora está incentivando gestantes a escolher onde (em casa, casas de parto ou hospital) e com quem terem seus partos (parteira ou médico). Falará também de pesquisas sobre como as mulheres podem ter um papel mais ativo na melhoria da segurança e da qualidade da sua assistência.

Por sua vez, a realidade brasileira se caracteriza por um uso excessivo de intervenções como cesáreas, episiotomias, fórceps, e aceleração do parto com drogas, excessos que podem levar a conseqüências adversas à saúde e bem-estar de mães e bebês. Pesquisas brasileiras revelam taxas de depressão e estresse pós-traumático pós-parto mais alto que em outros países. Para discutir a assistência obstétrica no País, estarão no evento a médica e pediatra Sonia Lansky, coordenadora da Comissão Perinatal da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte e do programa premiado pela OPAS/OMS “BH pelo parto normal”; a médica obstetra Maria Esther Vilela, coordenadora da Área Técnica da Saúde da Mulher no Ministério da Saúde, e responsável pela implementação da Rede Cegonha em âmbito municipal; e Simone Diniz, médica e livre-docente do departamento de Saúde Materno-infantil da FSP/USP e coordenadora da Pesquisa Nascer no Brasil na região Sudeste.

“O Brasil não tem conseguido reduzir a morbimortalidade materna, e enfrenta um aumento de nascimentos de bebês prematuros e de baixo peso. São problemas de vigilância, avaliação e planejamento das ações em saúde, todas permeadas por dimensões culturais. Temos esta taxa absurda de cesárea porque a assistência ao parto vaginal é muito agressiva e sem base em evidências científicas”, revela Simone.

Com o Sistema Único de Saúde (SUS), o Brasil tem conseguido uma vitória importante que é a universalização do cuidado à saúde. “É hora de dar atenção à qualidade e à segurança do cuidado. Intervenções benéficas e seguras, como grupos educativos no pré-natal, presença de acompanhantes no parto, garantia da privacidade das pacientes, e recursos não farmacológicos de alívio da dor, não tem sido oferecidos à grande maioria das mulheres, nem quando previstos em lei”, conclui Simone.

As Metas do Milênio propostas pela ONU, além de provocarem algumas transformações concretas, servem também como um tipo de diagnóstico da situação atual. Tudo isso configura então a expectativa de que a Meta do Milênio número 5 (redução de três quartos da mortalidade materna entre 1990 e 2015) não será alcançada.

Para garantir a participação no evento e receber certificado, basta preencher o formulário através do endereço http://www.fsp.usp.br O evento tem apoio do Departamento de Saúde Materno-Infantil da FSP/USP, da Comissão de Cultura e Extensão Universitária (CCEx/FSP/USP), da Pró-Reitoria de Pós-Graduação da USP, da OMS/OPAS Brasil – Unidade Técnica Saúde da Mulher, do Homem, Gênero e Diversidade Cultural e da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo – Áreas Técnicas de Saúde da Mulher e da Criança.

Fonte: Portal Inteligemcia

Ofício de parteira de Pernambuco como bem imaterial

A solicitação do registro do Ofício da Parteira Tradicional como bem cultural de natureza imaterial está ganhando força também em outros estados brasileiros. A notícia chegou a São Paulo e foi citada pelo vereador Juscelino Gadelha.

“Somos totalmente a favor da decisão do Iphan (Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) de tornar o ofício das parteiras de Pernambuco patrimônio imaterial brasileiro”, afirmou o vereador, autor de vários pedidos de registro (tombamento) ao Conpresp – Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo.

O inventário sobre as parteiras,  que é um requisito para o título, foi realizado para resgatar e valorizar o trabalho das parteiras, ofício esse que resiste ao tempo. Devido à oralidade da técnica das parteiras, o conhecimento do ofício deve ser registrado em forma de livro, para que a prática não seja extinta com o passar dos anos. Além disso, o requerimento do registro é uma demanda da sociedade civil pelo emprego do instrumento legal de salvaguarda do Governo Federal, cujo objetivo principal é propiciar condições para a continuidade da transmissão desses conhecimentos e saberes de importância para a identidade nacional

A idéia partiu do Instituto Nômades, Grupo Curumim, Associação das Parteiras Tradicionais de Caruaru e Associação das Parteiras Tradicionais e Hospitalares de Jaboatão dos Guararapes, que catalogaram o trabalho de 220 parteiras no Estado em seis municípios.

Fontes: Juscelino Gadelha, Instituto Nômades e Grupo Curumim

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